Resultados

No ano de 2004, o faturamento do Grupo Gerdau superou em 48,3% os R$ 15,8 bilhões obtidos no ano anterior, chegando a R$ 23,4 bilhões. A expansão do consumo no mercado internacional foi alavancada principalmente pelo crescimento da China e dos Estados Unidos. Esse cenário impulsionou os preços dos produtos siderúrgicos de forma global e, no Grupo Gerdau, o valor médio por tonelada dos produtos exportados a partir do Brasil evoluiu 62,4% em dólares. Além disso, a melhoria do desempenho das operações na América do Sul, a consolidação de novas unidades na América do Norte e a retomada do crescimento da economia brasileira também contribuíram de forma decisiva para a melhoria da performance consolidada.

Como resultado desse cenário positivo, a receita líquida evoluiu 46,6%, para R$ 19,6 bilhões. O lucro líquido consolidado passou de R$ 1,3 bilhão para R$ 3,3 bilhões, uma expansão de 165,8%.

A margem líquida, relação entre lucro líquido e receita líquida de vendas, evoluiu positivamente: passou de 9,4% em 2003 para 17,1% em 2004. A margem bruta cresceu 7,3 pontos percentuais, para 31,9%.

As despesas operacionais (de vendas, gerais e administrativas) representaram 7,7% da receita líquida nesse exercício, contra 9,4% em 2003, e totalizaram R$ 1,5 bilhão.

O EBITDA (lucro antes de despesas financeiras, impostos, depreciação e amortizações) teve uma expansão de 108,4%, atingindo R$ 5,5 bilhões.

As despesas financeiras líquidas (despesas menos receitas financeiras), excluídas as variações cambiais e monetárias, totalizaram R$ 253,1 milhões. Considerando as receitas de variações cambiais de R$ 119,2 milhões e as despesas de variações monetárias de R$ 14,5 milhões, os juros pagos no exercício somaram R$ 148,4 milhões.

Em 2004, os investimentos do Grupo fora do Brasil, convertidos para a moeda brasileira, refletiram a desvalorização de 8,1% do dólar norte-americano frente ao real. O resultado da variação cambial está registrado na linha de equivalência patrimonial do balanço, que também inclui ágios realizados no período, entre outros. Como resultado disso, a equivalência patrimonial apresentou saldo negativo de R$ 344,6 milhões no exercício.


Endividamento

A dívida líquida – dívida bruta menos disponibilidades de caixa e aplicações financeiras – foi reduzida em 22,4%, passando de R$ 5,3 bilhões para R$ 4,1 bilhões. No período, o prazo médio da dívida passou de 2,6 anos para 4,2 anos.

A dívida bruta ficou em R$ 6,1 bilhões contra R$ 6,3 bilhões em 2003, uma redução de 3,0%.

As obrigações de curto prazo também apresentaram diminuição, de 17,6%, e ficaram em R$ 2 bilhões. A dívida de longo prazo era de R$ 4,1 bilhões e teve 6,4% de acréscimo, o que revela o alongamento do perfil da dívida, permitindo maior flexibilidade na gestão dos negócios. Do total da dívida, 18,6% foi contratado em moeda brasileira, sendo que 38,7% está vinculado ao dólar norte-americano e os demais 42,7% foram contraídos pelas empresas fora do País.

Mesmo com a aquisição de novos ativos em 2004, os juros líquidos (despesas financeiras menos receitas financeiras, excluídas as variações cambiais e monetárias) pagos por tonelada vendida foram de R$ 22,36, quase metade do valor registrado no exercício anterior. Essa melhora significa que a expansão do Grupo Gerdau não comprometeu a rentabilidade do negócio e o desempenho das operações durante o exercício.

Em dezembro, as disponibilidades de caixa e as aplicações financeiras registravam R$ 2 bilhões, dos quais 69,5% (R$ 1,4 bilhão) estavam indexados ao dólar. Os recursos financeiros aplicados nesse exercício praticamente dobraram em relação a 2003, refletindo o crescimento da geração de caixa.

A elevada geração de caixa operacional (EBITDA) propiciou um nível diferenciado de capacidade de pagamento das dívidas e de possibilidade de assumir novos compromissos para a expansão dos negócios. Nesse exercício, a relação entre a dívida líquida e o EBITDA foi de 0,7 vez, muito abaixo do limite de até 2,5 vezes estabelecido na política de endividamento do Grupo Gerdau.


Principais operações financeiras

Em junho, a Gerdau Açominas S.A., empresa responsável pelas operações siderúrgicas do Grupo no Brasil, efetuou a colocação da segunda parcela do programa de notas de recebíveis de exportações, importante para o alongamento do perfil da dívida da Empresa. Foram obtidos US$ 128 milhões nesta operação, com prazo final de pagamento de oito anos e juros de 7,321% ao ano. A operação foi realizada em paralelo com um instrumento derivativo (US Treasury Lock), que reduziu o custo efetivo final para 6,798% ao ano.

No mês de outubro, foi concluída uma operação de euro commercial paper no valor de US$ 110 milhões, com vencimento final em 12 de outubro de 2005 e juros de 3,0% ao ano.

Em dezembro, a Gerdau Açominas S.A. obteve um financiamento no valor de US$ 240 milhões para modernização da usina de Ouro Branco (MG), como parte do projeto de expansão da planta. A garantia foi dada pela Nippon Export and Investment Insurance (NEXI), agência de crédito japonesa ligada ao governo daquele país. A agência cobre 97,5% do risco político e 95,0% do risco comercial – isso significa que os riscos relacionados tanto à política do governo brasileiro em relação aos pagamentos enviados para o exterior (risco político) quanto ao cumprimento dos compromissos assumidos pela empresa (risco comercial) estão cobertos.

O prazo total desse empréstimo é de sete anos, dos quais dois anos são de carência e cinco de amortização. A operação, chamada de untied loan, tem como diferencial não estar vinculada à origem do fornecimento de equipamentos. O financiamento também não prevê nenhuma estrutura de garantia adicional por parte da Empresa, e não há vínculo com importações ou recebíveis de exportação.


Indicadores Financeiros 2004¹ 2003
Valor da firma²/EBITDA³ 3,3x 5,4x
Dívida líquida/EBITDA 0,7x 2,0x
Dívida líquida/Capitalização total 34,2% 52,1%
EBITDA/Despesas financeiras líquidas4 21,8x 5,2x
Lucro líquido/Patrimônio líquido 42,5% 26,0%
1. A melhoria nos indicadores é decorrente do desempenho positivo do exercício, o que se refletiu, por exemplo, no aumento do EBITDA e do lucro líquido, assim como na redução da dívida líquida e das despesas financeiras líquidas.
2. Valor da firma: soma do valor de mercado com a dívida líquida (Gerdau S.A. Consolidado).
3. EBITDA: lucro antes de despesas financeiras, impostos, depreciação e amortizações.
4. Despesas financeiras líquidas: despesas financeiras menos receitas financeiras, excluídas as variações cambiais e monetárias.















Um século de lucros
Ao longo de mais de 100 anos, o Grupo Gerdau sempre trabalhou com a convicção de que é fundamental equilibrar crescimento e rentabilidade. E os números comprovam na prática a aplicação dessa política. O Grupo Gerdau apresentou, em todos os anos de sua trajetória, resultados positivos, mesmo em situações econômicas adversas. Valores éticos, pessoas capacitadas, gestão profissional, austeridade financeira, competitividade industrial e comercial foram a base de uma expansão sólida e segura. Hoje, o Grupo Gerdau trabalha para manter-se entre as empresas siderúrgicas mais rentáveis e eficientes do mundo.


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