Em 2005, o faturamento do Grupo Gerdau cresceu 8,9%, alcançando R$ 25,5 bilhões. O lucro
líquido atingiu R$ 3,3 bilhões, mantendo-se praticamente nos mesmos níveis de 2004, o melhor ano da história da siderurgia. O cenário internacional contribuiu expressivamente para esse desempenho, principalmente pela forte demanda da China. A produção global do setor atingiu 1,1 bilhão de toneladas, volume 6,1% maior que no ano anterior, e estimulou o Grupo Gerdau a investir na ampliação de suas operações.
As margens, assim como a geração de caixa operacional, foram impactadas no período pelo
aumento dos preços de matérias-primas, tais como minério de ferro, carvão e energia elétrica. Como conseqüência, a margem líquida – relação entre lucro líquido e receita líquida de vendas – ficou em 15,4% e a margem bruta foi de 27,0%, contra 17,1% e 31,9%, respectivamente, no ano anterior. A geração de caixa operacional (EBITDA) foi de R$ 4,9 bilhões contra os R$ 5,5 bilhões verificados no ano anterior. A margem EBITDA – relação entre a geração de caixa operacional e a receita líquida – caiu de 28,1% para 23,0%.
As despesas com vendas e os gastos gerais e administrativos totalizaram R$ 1,7 bilhão e
representaram 7,9% da receita líquida no ano, ligeiramente acima dos 7,7% registrados em
2004. O aumento decorreu do crescimento das exportações, o que se traduz em maiores
gastos com serviços portuários, e pela elevação dos custos dos incentivos de longo prazo dos
colaboradores na América do Norte.
Em 2005, o resultado financeiro (despesas financeiras menos receitas financeiras) foi
positivo em R$ 42,2 milhões. As receitas decorrentes da valorização do real frente ao
dólar norte-americano sobre a dívida em moeda estrangeira somaram R$ 166,5 milhões e
as despesas com variações monetárias totalizaram R$ 19,8 milhões. Excluídas as variações
monetárias e cambiais, as despesas com juros chegaram a R$ 104,5 milhões no ano, contra
R$ 253,1 milhões em 2004.
O efeito da variação cambial sobre os investimentos do Grupo Gerdau no exterior resultou
em uma equivalência patrimonial negativa de R$ 157,9 milhões no exercício, valor este que
também inclui ágios amortizados no período, entre outros.
ENDIVIDAMENTO
A dívida líquida (dívida bruta menos disponibilidades e títulos e valores mobiliários) foi reduzida em 51,9%, atingindo R$ 2,0 bilhões em 2005, devido à geração de caixa obtida ao longo do exercício, assim como a valorização do real, que diminuiu a porção da dívida em dólares contratada pelas empresas no Brasil quando convertida em reais.
A dívida bruta (empréstimos e financiamentos mais debêntures) evoluiu de R$ 6,1 bilhões para R$ 7,4 bilhões em função das operações financeiras realizadas no exercício.
Ao se considerar a dívida bruta, 18,1% (R$ 1,4 bilhão) correspondem a financiamentos de curto prazo e 81,9% (R$ 6,0 bilhões), de longo prazo. O prazo médio de pagamento da dívida foi ampliado de quatro para nove anos, graças à estratégia de alongamento adotada em 2005.
Do total da dívida bruta, 19,5% correspondem à moeda brasileira, 48,8% ao dólar norte-americano contratado pelas companhias no Brasil e 31,7% foram contraídos por empresas do Grupo fora do País em diferentes moedas.
No final do exercício, a relação entre a dívida líquida e o EBITDA era de 0,4 vez, muito abaixo do limite máximo de 2,5 vezes estabelecido na política de endividamento do Grupo. O quadro atual mostra que a dívida líquida corresponde a menos de seis meses de geração de caixa da Empresa e que a aquisição de novos ativos no período não comprometeu o endividamento do Grupo.
Indicadores Financeiros
31/12/2005
31/12/2004
Dívida líquida/Capitalização total1
16,0%
34,2%
EBITDA/Despesas financeiras líquidas
(excluídas as variações monetária e cambial)
46,7x
21,8x
Dívida bruta/EBITDA
1,5x
1,1x
Dívida líquida/EBITDA
0,4x
0,7x
1. Capitalização total = patrimônio líquido+dívida líquida.
Em outubro, foi concluída a emissão de Euro Commercial Paper, um título de dívida de curto
prazo, no valor de US$ 200 milhões, com vencimento em 11 de outubro de 2006. Esta operação foi uma continuidade do programa iniciado em 2003 que, até agora, sofreu três renovações.
Desde a primeira emissão, as taxas de juros apresentam comportamento descendente: em 2003, 4,125% (275 bps acima da libor de 1 ano), em 2004, 3,125% (67 bps acima da libor de 1 ano) e, em 2005, 5% (45,5 bps acima da libor de 1 ano).
Em 31 de outubro de 2005, a Gerdau Ameristeel ampliou a sua linha de capital de giro de US$ 350 milhões para US$ 650 milhões. Além de estender o vencimento da operação de 2008 para 2010, a empresa também reduziu o seu custo de captação em uma média de 1,25%. Esta linha tem como garantia os estoques e as contas a receber da Companhia.
Outra operação importante refere-se a um financiamento no valor de US$ 236,5 milhões, obtido no início de 2006 pela Gerdau Açominas para a expansão da sua capacidade produtiva.
RATING
Em novembro de 2005, a Standard & Poor’s divulgou a reclassificação de risco para moeda estrangeira de algumas empresas da América Latina, Ásia e região do Pacífico.
A Gerdau S.A. avançou dois níveis na escala de classificação, passando de BB- (estável) para BB+ (estável).
Mais do que isso, ficou apenas um nível abaixo do investment grade (companhias recomendadas aos investidores internacionais).
FLUXO DE CAIXA CONSOLIDADO
Metalúrgica Gerdau S.A.
Empresa
Consolidado
(valores expressos em milhares de reais)
2005
2004
2005
2004
Lucro líquido do exercício
1.275.584
1.437.075
3.268.844
3.341.097
Equivalência patrimonial
(1.281.519)
(1.342.842)
157.903
344.628
Provisão para riscos de crédito
-
-
(12.339)
7.647
Ganho (perda) na alienação de imobilizado
-
-
10.642
9.058
Ganho (perda) na alienação/incorporação de investimentos
-
(170.953)
(317.827)
(164.058)
Variações monetárias e cambiais*
4.422
5.198
(77.587)
(94.087)
Depreciações e amortizações
145
145
838.760
766.819
Imposto de renda e contribuição social
(9.809)
47.393
43.656
505.551
Juros sobre a dívida
4
778
473.421
412.152
Contingências/depósitos judiciais
(372)
(940)
(67.216)
4.351
Variação de contas a receber de clientes
-
-
492.287
(720.363)
Variação nos estoques
-
-
144.981
(1.402.408)
Variação de fornecedores
(51)
58
(128.858)
477.292
Outras contas da atividade operacional
1.233
(33.737)
134.564
(100.288)
Caixa líquido da atividade operacional
(10.363)
(57.825)
4.961.231
3.387.391
Aquisição/alienação de imobilizado
-
-
(1.641.230)
(1.173.491)
Acréscimo de diferido
-
-
(27.905)
(18.006)
Aquisição/alienação de investimentos
(8.791)
155.144
(129.282)
362.905
Aquisição de ativos
-
-
-
(924.457)
Recebimento de dividendos/juros sobre o capital próprio
434.156
351.884
-
-
Aplicação de caixa em investimentos
425.365
507.028
(1.798.417)
(1.753.049)
Fornecedores de imobilizado
-
-
(28.636)
144.573
Financiamento do capital de giro
(8.549)
(7.778)
1.175.121
(133.006)
Debêntures
-
(586)
12.235
85.305
Aportes de financiamentos do ativo permanente
-
-
711.495
762.766
Amortização de financiamentos do ativo permanente
-
-
(476.266)
(677.357)
Pagamento de juros de financiamentos
(4)
-
(426.284)
(379.801)
Mútuos com partes relacionadas
(129)
2.839
11.590
35.944
Aumento de capital/variações nas ações em tesouraria
(12.992)
(14.441)
520.048
451.704
Pagamento de dividendos/juros sobre o capital próprio e participações
(439.816)
(358.623)
(1.102.601)
(853.710)
Caixa líquido da atividade financeira
(461.490)
(378.589)
396.702
(563.582)
Variação no saldo do caixa
(46.488)
70.614
3.559.516
1.070.760
Saldo do caixa
No início do exercício
95.800
25.186
2.003.945
1.015.726
Atualização do caixa inicial
-
-
(210.426)
(82.541)
Saldo inicial de empresas consolidadas no exercício