Em 2005, o Grupo Gerdau apresentou mais uma vez resultados positivos, refletindo uma estratégia consistente de buscar o equilíbrio entre crescimento e rentabilidade. O lucro líquido chegou a R$ 3,3 bilhões, praticamente igual ao registrado em 2004, o melhor ano da história da siderurgia. No período, o faturamento foi de R$ 25,5 bilhões (+ 8,9%) e a produção, de 13,7 milhões de toneladas de aço (+ 1,7%).
Esse desempenho explica-se pelo contínuo esforço de melhoria nos processos de gestão e pelo momento positivo que o setor vive – a produção global de aço superou novamente a marca de 1 bilhão de toneladas, pelo crescimento da demanda internacional, especialmente a da China.
PARTICIPAÇÃO ATIVA NA CONSOLIDAÇÃO
DO SETOR
Em 2005, ampliamos nossa atuação para a Europa, com a aquisição de 40% do capital social da Corporación Sidenor, principal produtora de aços especiais, forjados e fundidos da Espanha.
O negócio, concluído em 2006, representa para o Grupo Gerdau investimentos de US$ 340,0 milhões, sendo que deste total a dívida da Empresa corresponde a US$ 138,7 milhões.
Esse investimento significa um aumento na produção de aços especiais, segmento de mercado com alto valor agregado. Nos últimos anos, nos tornamos um importante fornecedor
desta matéria-prima para a indústria automotiva, por meio da unidade Gerdau Aços Especiais
Piratini (RS). Essa experiência fez com que tomássemos a decisão de expandir a atuação em
aços especiais para além das Américas e buscarmos novas posições no futuro.
Além disso, finalizamos no exercício a aquisição do controle acionário da Diaco e da Sidelpa,
maior produtora de aços longos e única fabricante de aços especiais da Colômbia, respectivamente.
Na Argentina, também passamos a controlar a Sipar, laminadora voltada para o segmento de aços longos, empresa na qual já possuíamos participação minoritária.
Nos Estados Unidos, houve um forte trabalho de integração da Gerdau Ameristeel com
as unidades da North Star Steel adquiridas no final de 2004. As novas plantas industriais,
localizadas em Iowa, Minnesota, Texas, Kentucky e Tennessee, permitiram o aumento da oferta de produtos e da cobertura geográfica.
Cabe destacar ainda o programa de atualização tecnológica e ampliação das unidades do
Grupo, no valor de US$ 3,8 bilhões para os próximos três anos. Deste total, US$ 2,5 bilhões
serão destinados para o Brasil, US$ 143 milhões para a Argentina, o Chile, a Colômbia e o Uruguai, US$ 1,2 bilhão para o Canadá e os Estados Unidos e US$ 35 milhões para a Espanha.
BAIXO ENDIVIDAMENTO
Atualmente, a relação entre a dívida líquida e o EBITDA é de 0,4 vez, muito abaixo do limite de 2,5 vezes estabelecido na política do Grupo. Além disso, o prazo médio da dívida passou de quatro para nove anos.
Desta forma, conquistamos mais flexibilidade para assumir novos ativos siderúrgicos e ampliar as atuais plantas industriais no futuro. É importante registrar que buscamos 15,0% de retorno mínimo ao ano em dólares sobre o capital investido, meta que tem sido superada positivamente.
GOVERNANÇA CORPORATIVA:
NOVO PRESIDENTE EXECUTIVO EM 2007
Em 2005, foi dada continuidade ao processo de sucessão no comitê executivo do Grupo Gerdau. No início de 2007, deixarei a presidência executiva, permanecendo na presidência do Conselho de Administração. Além disso, os vice-presidentes seniores Frederico C. Gerdau Johannpeter e Carlos J. Petry também passam a atuar somente no Conselho de Administração.
Esse processo está sendo realizado de forma organizada, estruturada e segue critérios
absolutamente profissionais, buscando a sustentabilidade do negócio a longo prazo. Dentre
os diversos candidatos, o futuro presidente executivo será eleito pelo Conselho de Administração após os processos de avaliação técnica.
O processo de sucessão teve início em 2001 e conta com o auxílio de consultorias internacionais, além das análises internas. É importante ressaltar que o Grupo Gerdau já fez quatro sucessões ao longo de mais de 100 anos de história com absoluta naturalidade.
RESPONSABILIDADE FRENTE A TODOS OS PÚBLICOS
Cada vez mais, trabalhamos de forma integrada nas esferas econômica, social e ambiental,
seguindo o conceito da sustentabilidade. Oferecemos dividendos diferenciados e buscamos
ampliar a liquidez das ações por meio da renovação das práticas de governança corporativa e
da listagem das ações em importantes centros financeiros mundiais. No exercício, os acionistas das empresas de capital aberto no Brasil receberam R$ 364,1 milhões da Metalúrgica Gerdau S.A. e R$ 796,4 milhões da Gerdau S.A. Por sua vez, a Gerdau Ameristeel, companhia responsável pelas atividades no Canadá e Estados Unidos, distribuiu US$ 66,9 milhões no ano.
Além disso, investimos de forma contínua na capacitação dos colaboradores em todos os
níveis. Em 2005, foram destinados R$ 32,9 milhões para o treinamento dos profissionais, o
que se traduz em duas semanas anuais de capacitação para cada colaborador em média. A área de segurança no ambiente de trabalho também merece destaque: atingimos uma taxa
de 3,9 acidentes com perda de tempo por milhão de horas trabalhadas, uma redução de 4,9% em comparação com 2004. Nosso desafio, entretanto, é ter um ambiente livre de acidentes.
Na área ambiental, investimos R$ 186,6 milhões no exercício, 164,9% a mais que no ano
anterior. Em todos os países onde atuamos, temos como meta conquistar a certificação
ambiental ISO 14.001, além de reduzir o impacto das nossas operações, principalmente pelo
desenvolvimento de novas aplicações dos co-produtos por outros setores da economia e pela
própria siderurgia. Atualmente, 80,0% dos materiais secundários decorrentes da atividade
siderúrgica já são reaproveitados.
Também desempenhamos um papel fundamental perante a sociedade ao reciclarmos cerca
de 10 milhões de toneladas de sucata ferrosa por ano, uma das principais matérias-primas
para a produção do aço Gerdau. Essa atividade diminui o volume de materiais enviados para
aterros e gera empregos na coleta da sucata, por meio de uma extensa cadeia de pequenos
e médios empreendedores que se dedicam a essa atividade.
Junto às comunidades, atuamos prioritariamente em duas frentes: educação e mobilização
solidária. No campo da educação, buscamos melhorar o nível do ensino, principalmente do Ensino Fundamental no Brasil, por meio de parcerias com o poder público e organizações do terceiro setor. Educação, para o Grupo Gerdau, não se restringe aos bancos de escolas e universidades. Ela abrange um conceito amplo, como educação para o empreendedorismo, para a pesquisa científica, para a qualidade total, para a preservação da natureza, para a cultura, entre outros.
Também prestamos solidariedade às comunidades em caso de calamidades climáticas, como
ocorreu com a devastação provocada pelo furacão Katrina (EUA), e no combate a problemas
estruturais, como a fome no Brasil. Em muitas atividades de mobilização solidária tem sido
fundamental a participação dos nossos voluntários. Em 2006, será implantado um projeto para consolidar as ações de voluntariado promovidas pelo Grupo, o Programa Voluntário Gerdau.
A iniciativa será aplicada primeiro no Brasil e, mais tarde, nas operações dos demais países.
FUTURO: CONVICÇÃO DE CONTINUAR CRESCENDO
Nos próximos anos, continuaremos participando da consolidação da siderurgia, por meio de aquisições e fusões. No segmento de aços longos, o foco continuará sendo as Américas e na linha de aços longos especiais, o mundo.
MUITO OBRIGADO
Gostaria de agradecer a dedicação e o empenho dos nossos colaboradores. Cabe também um profundo agradecimento a todos os que participam do nosso processo de desenvolvimento: acionistas, investidores, fornecedores, comunidades e, especialmente, clientes.
Jorge Gerdau Johannpeter
Presidente do Grupo Gerdau